O gaúcho André Takeda tem 31 anos e mora há 3 em São Paulo. Acaba de lançar pela editora Rocco seu segundo romance, Cassino Hotel, pelo selo Safra XXI, sucessor de Clube dos Corações Solitários (Conrad, 2001).
Takeda, porto-alegrense, se aproveita da vantagem de conhecer muito bem Porto Alegre para usá-la como cenário novamente, mais especificamente Cassino, praia ao extremo sul do estado, onde os cinco personagens se refugiam em busca de respostas e pescarias.
Todos os dias são feitos de clichêsAo completar 30 anos João Pedro sente-se confuso entre seu romance secreto com Melissa, a Mel X, popstar teen filha de um sertanejo, e suas raízes mal resolvidas em Porto Alegre: um relacionamento entre seu melhor amigo, cego após um acidente, e sua ex-namorada, abandonada ao se decidir por São Paulo, uma relação conturbada com os pais e a morte precoce de uma irmã. E é exatamente para aparar todas essas abas que João volta para o Sul. A situação complica-se mais ainda quando Melissa resolve ir atrás, cancelando um show, o que obriga sua assessoria de imprensa a divulgar uma nota alegando que a musa teen está num spa, se curando de uma crise de stress. O que não impede que os paparazzis e a indústria da fofoca, muito criticados no livro, demorem a descobrir que Melissa está em Cassino com o namorado, ex-viciado e guitarrista demitido de sua banda, quando a família descobre tal romance.
O enredo, homem trintão em busca de suas raízes volta para sua cidade natal, é um clichê, assumido pelo autor inclusive, que chega a incomodar no começo do livro, mas flui de maneira agradável e espontânea tornando-se uma leitura prazerosa. O que também acontece com a linguagem, apesar de cansar ao abusar do saudosismo que inicia a maior parte dos capítulos, como forma de dar consistência aos personagens e de alguns diálogos dispensáveis, que beiram o exagero da pieguice.
André Takeda cumpre com louvor o que se propõe a fazer com sua escrita. Diverte. E isso basta.
* resenha rejeitada pelas mais diversas revistas possíveis